"Ó Deus, criaste-nos para Ti e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Ti!" (Santo Agostinho)

"Faça poucas coisas, mas as faça bem!" (São Francisco de Assis)

Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de novembro de 2022

Solenidade de Todos os Santos

 Celebrada dia 01 de novembro para a Igreja no mundo inteiro. No Brasil, por não ser feriado, essa data tão importante, é transferida para o domingo seguinte, para a Igreja celebrar o dom da santidade.


O Evangelho que a Igreja sempre proclama nessa data é o das Bem-Aventuranças (O Sermão da Montanha - Mateus 5). 

Refletimos sobre os santos que estão no céu e começaram sendo santos aqui na terra. A santidade para nós, católicos, é diferente para as outras religiões e até mesmo para os judeus, no Antigo Testamento. A santidade é o mistério escondido ao longo dos séculos por Deus e que foi revelado em Jesus Cristo. Deus quer que nós participemos da sua vida no céu, mesmo sendo algo inalcançável por qualquer criatura, por isso Deus se fez homem e sem deixar a Sua divindade, assumiu a nossa humanidade. 

Jesus fez homem, sem deixar de ser Deus. Jesus assumiu a nossa humanidade para que nós, pudéssemos assumir a vida divina. E aqui está a santidade. Deus se fez homem para que nós, unindo-nos a Jesus, participemos da vida de Deus.

A santidade é a configuração à Cristo, é a união à Jesus.

Jesus é o santo dos santos. Deus que se fez homem.

Para participarmos da vida de Deus ao céu, precisamos estar unidos à Jesus. E essa união acontece em primeiro lugar na fé, que não é um sentimento, não é uma confiança.

O justo vive pela fé. A fé é uma realidade derramada em nosso coração através de um dos de Deus e nós pela fé, começamos a unir a Deus. A fé cresce e floresce na santidade.

O Evangelho é uma força de Deus para aquele que crê. (São Paulo).

A fé nos une a Jesus. Os santos se uniram a Jesus. Não é possível ser santo, sem ser cristão católico. Não é possível ser santo fora da Santa Igreja Católica.

Houve santos no Antigo Testamento (Apocalipse - 144 mil santos). Vem Jesus e o número de santos é muito maior (Em Apocalipse fala de uma multidão incontável), são os santos que hoje celebramos.

Para sermos santos precisamos nos esforçar muito, só assim esse número ficará cada vez maior.

Também existe santidade no purgatório, pois lá, ninguém mais tem pecado. Os pecados veniais são perdoados quando a pessoa entra no purgatório. Já é santa, não está totalmente pronta para ir para o céu, pois existem algumas desordens que precisam ser purificadas, ainda tem penas que precisam ser pagas. Elas já amam a Deus de todo coração, de toda sua alma, com todas as suas forças. Existe sofrimento no purgatório, mas quem está lá, já é santo.

Não é possível ser santo sem a caridade de Deus. Sem amor por Jesus. A caridade é a santidade. Eu amo com o amor que Deus me deu, não com meu amor.

O que faz um santo é o seu amor por Jesus.

Não existe santidade longe de Jesus.  



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Conselho dos Santos

                           

Falar com amor, ser honesto e dar ouvidos às crianças, são algumas lições deixadas pelos santos.

Para alcançar a santidade, homens e mulheres, como você e eu, buscaram durante a vida ajudar o próximo e levar o bem a todos. Nessa trajetória de muita doação ao outro, eles deixaram conselhos que podem nos ajudar muito e principalmente, conselhos que os adultos podem usar para ajudar as crianças, ajudar na criação dos filhos e netos.

As atitudes dos adultos refletem nas crianças. Somos espelhos para as crianças. Por isso, é prudente evitar discutir na frente dos pequenos e dizer palavras que possam machucá-los. E caso isso ocorra, pedir perdão pelo ocorrido, é necessário.

A vida de todo cristão consiste em testemunhar a pessoa de Jesus, o Santo. Ser santo é assemelhar-se a Ele. Os santos, vivendo em harmonia com o Evangelho, fizeram e fazem a experiência do amor de Deus, o amor verdadeiro, o amor divino. É esse amor que educa, com obras, e testemunho, sendo o verdadeiro meio de educação para as crianças.

Esses são valores universais que podem ser aplicados por todas as pessoas, porque são deixados por Jesus Cristo. A prática do bem, da honestidade e da justiça são necessários para toda humanidade. E os santos nos influenciam com seus exemplos.

Para vivermos em família:

SENTIMENTO 
Irmã Dulce - "Sempre que puder, fale de amor e com amor para alguém. Faz bem aos ouvidos de quem ouve e à alma de quem fala." Educar na fé e no amor, como os santos.

COLÔNIA DE FÉRIAS
Dom Bosco - Ele que inventou a colônia de férias, porque ensinava não com discursos longos, mas  de histórias , através de uma bola, de canções e de jogos ao ar livre. Até o começo do século XX, criança não tinha vez, nesse período se dizia: "Crianças devem ser vistas, mas não ouvidas".

VALORES
São João Paulo II - São João Paulo II cresceu ouvindo de seu pai, histórias dos santos da Polônia. Um amigo de infância de João Paulo disse: O senhor Wojtyla consagrava todo o tempo que tinha ao filho, afirmando a personalidade de Karol no essencial. Ele lhe deu todo amor de que era capaz. Sem essa base, Karol nunca teria ido tão longe em sua vida." Devemos fazer como o pai de João Paulo, aproveitar todos os momentos para compartilhar valores de forma interessante.

(Fonte: A Gazeta, 07 de junho de 2015, Adelita Maria Rozetti Frulane, missionária da comunidade Canção Nova, entrevistado: Padre Jocemar Zagoto).




Palavras de Santo Agostinho

          Por isso está dito: "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto. Pois tudo o que pede, recebe; o que busca, acha; e ao que bate, se abrirá. Quem de vós, sendo pai, se o filho lhe pedir um peixe, em vez de peixe lhe dará uma serpente? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará ao Espírito Santo aos que o pedirem" (Lc 11, 9-13).
          Três virtudes são aí recomendadas pelo Apóstolo: a primeira é a fé, simbolizada pelo peixe. Isso, quer por motivo da água do batismo, quer porque a fé se mantém íntegra nas flutuações deste século. Ao peixe é oposta a serpente. Foi ela que, com venenosa fraude, persuadiu a que se negasse a fé em Deus.
          A segunda virtude é a esperança, simbolizada pelo ovo. Isso porque a vida futura do pinto ainda não é, mas será. Assim também a esperança não se vê, mas se espera. A esperança que se vê, já não é esperança (Rm 8,24). Ao ovo é oposto o escorpião, porque quem espera na vida eterna esquece-se do que viu atrás, fica parado e tende só ao que vem pela frente. Para ele é pernicioso olhar para trás. Ao contrário, no escorpião, o que se avista é posterior, venenosa e em forma de aguilhão. 
          A terceira virtude é a caridade simbolizada pelo pão. "A maior delas é a caridade" (1Cor 13,13). Assim também, o pão supera por sua utilidade a todos os demais alimentos. Ao pão se opõe a pedra, porque os corações endurecidos recusam a caridade.

Santo Agostinho
Carta a Proba, cap. 8,16

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A conversão de São Paulo

          Comemora-se no dia 25 de janeiro a festa da conversão do apóstolo Paulo. Por que estou escrevendo sobre isso no mês de junho? Não sei bem, simplesmente senti vontade de escrever, de transmitir sobre esse assunto, visto que, a conversão é uma caminhada pessoal de arrependimento e satisfação. Não falo da conversão de simplesmente mudar de direção ou de religião, mas a conversão que nos abre para o Amor. E Jesus é esse Amor.

              Paulo nasceu em Tarso, Cilícia (At 21,39). Cresceu em berço observante das tradições farisaicas (2Tm 1,3; Fl 3,5-6). Seus antepassados provavelmente eram da Galileia, da tribo de Benjamim (Fl 3,5s). O próprio nome "Saulo", comum entre os descendentes de Benjamim, liga-se ao de "Saul", o primeiro rei dos judeus. Era comum entre os judeus que gozavam da cidadania romana ter dois nomes, um hebraico e outro latino ou grego. Daí o segundo nome "Paulo" (At 22,26-28), adotado por ele em sua pregação junto aos gentios. Como bom judeu, desde pequeno, Saulo teve de aprender um ofício, tornando-se "fazedor de tendas" (At 18,3).

          Autor de 13 das 21 cartas do Novo Testamento, foi a princípio um perseguidor de cristãos. Era um homem culto, influente nos meios sociais judeus, e cidadão romano. Um dia, a caminho de Damasco, foi barrado e derrubado no chão pelo Senhor, que lhe dirigiu as seguintes palavras: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Depois de sua conversão, tornou-se um corajoso missionário do cristianismo. A conversão de Paulo marcou definitivamente a história da Igreja e seu desenvolvimento.

domingo, 1 de março de 2015

O que Pedir aos Anjos?

Serafins - Que nos abrasem no amor de Deus, inflamem nosso coração no amor de Maria. Que nos entreguemos, louvemos e sirvamos a Deus.

Querubins - Que nos ajudem nas tentações contra a fé, pureza e escrúpulo.

Tronos - Que esclareçam e iluminem os governantes, bispos e responsáveis por comunidades religiosas e civis.

Dominações - Que esclareçam os hereges, ateus, incrédulos e católicos poucos fervorosos (aqueles cuja conversão estamos pedindo). Também pelos que se empenham em difundir o reino de Deus.

Virtudes - Que melhorem nossa vida espiritual, dando-nos coragem e força para cumprirmos as boas resoluções (façamos-lhes a entrega de nossa oração pessoal).

Potestades - Que removam os obstáculos que possam impedir a execução dos desígnios de Deus, desfazendo armadilhas e ciladas do inimigo. Também que inspirem os sacerdotes a se santificarem.

Principados - Que defendam e protejam, nosso País, cidade, Igreja. Que ajam como instrumentos de Deus na realização de milagres.

Arcanjo Miguel - Que combata por nós o inimigo e o precipite no inferno, desfazendo toda a mentira e ilusão da qual se serve. Que aumente em nós o amor à Santa Missa e Sagrada Eucaristia.

Anjo Gabriel - Que aumente em nós o amor à Maria e lhe apresente nossos pedidos.

Arcanjo Rafael - Que nos defenda das potências do mal, das doenças e nos acompanhe nas viagens. Que seja nosso consolo nas dificuldades e nos fortaleça no desânimo e na depressão. Também que ilumine os padres confessores e orientadores espirituais.

Anjos da guarda - Que nos guardem, governem e iluminem. Que nos inspirem, suscitando-nos boas ideias e propostas.

(Padre Marcelo Rossi - 19/03/2001)




terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Bíblia Católica X Bíblia Protestante

Qual a diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante?

          O problema entre a Bíblia Católica e a Protestante está unicamente no Antigo Testamento. Todos os livros do Antigo Testamento provavelmente foram escritos em hebraico, mas somente em 1946, com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, foi possível comprovar esse fato, pois encontrou-se fragmentos em hebraico de todos os livros, exceto Judite, que mesmo assim é repleto de semitismo, comprovando sua origem hebraica. 
     
          Lutero, quando fez a tradução da Bíblia para o alemão, excluiu os sete livros que não se conhecia seus originais em hebraico, a saber: Judite, 1 e 2 Macabeus, Tobias, Eclesiástico, Sabedoria e Baruc, restando assim 66 livros. Esses, até então, só se conhecia em grego. A lista de 73 livros é muita antiga, desde 406, com a tradução feita para o latim, por São Jerônimo. E diante das descobertas dos Manuscritos do Mar Morto, não faz sentido questionar sua autenticidade. 

              Nota-se: os sete livros foram excluídos da Bíblia por Lutero. As traduções ecumênicas e algumas protestantes já trazem, em suas novas edições, os livros em seu lugar, conforme a Bíblia Católica ou no final como apêndice acrescido do termo deuterocanônicos (segunda lista oficial).

(Extraído da Revista JPII (Pergunte ao Padre) - www.saopedrojacaraipe.com.br)



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Epifania do Senhor ou Santos Reis Magos

          Epifania, em grego, significa manifestação, revelação. Ela tem sua origem na Igreja Ocidental. É a revelação da divindade de Jesus Cristo ao mundo pagão por intermédio da adoração dos Magos. Neste dia a Igreja celebra a festa da Epifania, ou seja, a visita dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus. Essa visita simboliza a manifestação de Nosso Senhor não somente aos judeus, mas a todas as nações da Terra. Esses Magos manifestam que todos os povos são chamados à vida eterna, ao conhecimento do Evangelho e do Filho de Deus. De uma forma especial, Deus se manifesta aos pagãos por meio de coisas, da natureza: o Sol, a Lua e as estrelas. Isso porque os Magos descobriram no céu os sinais de que Deus Pai estava trazendo uma grande mensagem para a humanidade: seu próprio Filho, que se tornava carne em nossa história.

          Afirma São Tomás de Aquino: "Os Magos são 'as primícias dos pagãos' a crerem em Cristo. Neles apareceram, numa espécie de preságio, a fé e a devoção dos pagãos vindos a Cristo de lugares remotos. Por isso, sendo a fé e a devoção dos pagãos isentas de erro, por inspiração do Espírito Santo, também deve-se crer que os Magos, inspirados pelo Espírito Santo, se comportaram sabiamente ao prestarem homenagem a Cristo.

          Ao recebê-Lo como rei, ofereceram as primícias excelentes do templo: o ouro que guardavam; por entender que Ele era de natureza divina e celestial, ofertaram incenso perfumado, forma de oração verdadeira, oferecida como suave odor o Espírito Santo; e em reconhecimento de que sua natureza humana receberia sepultura temporal, ofereceram mirra."

          Mal dá para acreditar, mas ainda hoje, muitas pessoas precisam redescobrir o caminho da natureza, do cosmos, como sedo portadores de uma mensagem: Deus já se encarnou, já se fez carne de nossa carne. Contudo, é necessário ter a coragem de partir  de nossa cegueira espiritual e ir ao encontro Daquele que pode nos trazer a verdadeira Paz. E assim, preparar um novo mundo, onde não existam divisões, mas onde todos sejam irmãos por terem um único Deus como Pai e Criador, um único irão chamado Jesus Cristo.

          Estamos prontos para anunciar Jesus como o Salvador da humanidade?



"É preciso que Jesus seja amado, buscado e anunciado."


Palavra de fé
"Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou." (Mateus 2,9)

Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus

          Antigamente, no dia 1º de janeiro celebrava-se a Circuncisão do Menino Jesus. Atualmente, nela se celebra a Santíssima Virgem, que o Concílio de Éfeso (ano 431) proclamou "Theotókos" (Mãe de Deus).

          Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios, em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla. Estes dois concílios trataram de responder a respeito desse mistério da consubstancialidade de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

          No mesmo século, século IV, já ensinava o bispo Santo Atanásio: "A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso". Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão. Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o Verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita. Nela, reconhecemos uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo, por isso, a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus.

          No terceiro Concílio Ecumênico em 431, foi declarado Santa Maria a Mãe de Deus. Muitos não compreendiam, até mesmo pessoas da igreja como Nestório, patriarca de Constantinopla, ensinava de maneira errada que no mistério de Cristo existiam duas pessoas: uma divina e outra humana; mas não é isso que testemunha a Sagrada Escritura, porque Jesus Cristo é verdadeiro Deus em duas naturezas e não duas pessoas, uma natureza humana e outra divina; e a Santíssima Virgem é Maria Mãe de Deus.

domingo, 14 de setembro de 2014

As parábolas sobre o Reino

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

       O Divino Mestre apresentou a Sua doutrina por meio de uma rica variedade de temas, entre os quais as parábolas sobre o Reino de Deus. Seu grande desejo era nos fazer conhecer as maravilhas que o Pai tinha preparado, pois não é fácil exprimi-las em linguagem humana. Por isso, torna-se indispensável servir-se de imagens aproximativas, muito penetradas de lógica e verossimilhança, e facilmente acessíveis à nossa inteligência.
         
        Três parábolas sobre o Reino - a do tesouro escondido, e da pérola e a da rede (Mt 13, 44-52) -, são preciosos ensinamentos para a nossa vida espiritual a fim de alcançarmos a eterna salvação.

        "O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que, quando um homem o encontra, esconde-o e, cheio de alegria pelo achado, vai e vende tudo o que tem e compra aquele campo."

        Olhando para os primeiros tempos da Igreja, vemos quanto custou aos judeus e pagãos convertidos "comprar o terreno" no qual se escondia o tesouro da Salvação. A renúncia necessária para alcançar o tesouro era muito grande. Muitos vão renunciar até a família, os bens, a reputação e até, conforme a situação, a própria vida. Quão bem procederam, entretanto, os que abraçaram a Fé Católica!

          A humanidade atual, qual dos dois papéis representa: o do homem que deseja comprar, ou o do que quer vender o terreno com o tesouro? Muitos de nós, hoje em dia, caímos na insensatez de não mais nos importarmos com esse tesouro de nossa Fé, que tanto custou aos nossos antepassados, e pelo qual o Salvador derramou todo o Seu Preciosíssimo Sangue no Calvário. Por quão miserável preço o homem vende muitas vezes, esse tão elevado tesouro, tal como fez Esaú com sua primogenitura, ao trocá-lo por um mísero prato de lentilhas! Hoje, mais do que nunca, multiplicam-se as "lentilhas" da sensualidade, da corrupção, do prazer ilícito, da ambição, etc.

           Essa plenitude de alegria do homem da parábola deve nos acompanhar a vida inteira, sem interrupção, por ser um dos efeitos da verdadeira Fé. A virtude é um dom gratuito; não se compra. Entretanto, sua posse contínua e crescente custa esforços de ascese, e que oremos fervorosamente para aumentar a nossa piedade. É preciso "vendermos" todas as nossas paixões, caprichos, manias, vícios, etc., em síntese, toda a nossa maldade. É o melhor "negócio" que se possa fazer nesta Terra.

          "O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que busca pérolas preciosas, e tendo encontrado uma de grande preço vai, vende tudo o que tem e a compra".

            Na Antiguidade, as pérolas eram consideradas de um valor inestimável. Por essa razão, quem encontrasse à venda alguma de excelente categoria estaria disposto a desfazer-se de todos o seus bens para comprá-la. O texto nos fala de" um negociante que busca pérolas preciosas."

            A presente parábola tem o mesmo significado que a precedente, variando apenas na matéria, ou seja, trata-se de, se necessário for, deixar tudo o que se possui com vistas a adquirir esse "tesouro", ou "pérola", que nada mais é que o próprio Reino dos Céus.

                 "O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha toda a espécie de peixes. Quando está cheia, os pescadores tiram-na para fora e, sentados na praia, escolhem os bons para cestos e deitam fora os maus. Será assim no fim do mundo: Virão os Anjos e separarão os maus do meio dos justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes". 

                  Essa cena de pescaria, tão comuns na vida diária dos discípulos, é recordado pelo Divino Mestre com o intuito de lhes eixar claro que, para penetrar nos Reinos do Céu, é indispensável ser bom cidadão neste mesmo Reino, que aqui começa com a vida sobrenatural. Só assim não seremos excluídos no dia do Nosso Juízo.

                  Segundo muitos santos e outros autores, essa "rede" pode ser interpretada como uma imagem da Igreja, que se compõe de justos, mas também de pecadores. O mal que as vezes encontramos na sua parte humana não deve nos assustar, nem meso escandalizar, nem por isso deixa a Igreja de ser Santa em sua essência, pois é Ela divina. O que no deve importar é buscar essa "pérola" e, encontrando esse "tesouro", abandonar todo apego para sermos bons  "peixes" nessa rede. A tarefa da separação caberá aos Anjos, no dia do Juízo: os bons à direita, os maus à esquerda....

                   Rezemos para, quando os "pecadores" separarem os "peixes" no fim do mundo, estarmos nós entre os bons e não entre os maus.


domingo, 6 de julho de 2014

Parábolas dos talentos

Texto: Vicente Abreu
Fonte: Revista Cristã

Repórter Novo Testamento entrevista Mateus sobre a Parábola dos Talentos.

Eu estava na casa de Maria, mãe do evangelista Marcos. A casa era um ponto de encontro dos primeiros cristãos em Jerusalém. Nessa ocasião tive a graça de me encontrar com Mateus, o ex-cobrador de impostos que se tornou apóstolo de Jesus. Quando cheguei, ele falava sobre a Parábola dos Talentos. Ele falou tão lindamente que, depois, não resisti e fui conversar com ele. Logo percebi que Mateus amava essa parábola. Tanto que, mais tarde, ele será o único evangelista a mencioná-la nos Evangelhos. Leia Mateus 25, 14-30. Ao falar sobre o assunto, seus olhos brilhavam. Depois de ouvi-lo, aquela parábola - que eu já tinha lido e ouvido tantas vezes - ganhou outro significado. A seguir, veja m trecho de nossa conversa.

Repórter NT: Por que você gosta tanto dessa parábola?
Mateus: Primeiramente, porque é um ensinamento do meu Senhor Jesus. Portanto, é um ensinamento para a vida, para a felicidade. Depois, porque Jesus contou essa parábola quando nos falava sobre o final dos tempos. E, finalmente, porque ela encerra verdades maravilhosas, sobre a vida presente, sobre a vida futura e o que devemos fazer para conquistá-la.

Repórter NT: Quem é o dono dos bens na parábola?
Mateus: É Jesus. Ele é o dono, o patrão. Por ele todas as coisas foram feitas. Ele é o Filho em quem o Pai colocou todo o seu amor. E é a ele que todos nós vamos prestar contas.

Repórter NT: Na parábola, o dono iria partir para o estrangeiro...
Mateus: Sim. O patrão iria partir para uma grande viagem. Então, ele chama seus empregados e confia a eles seus bens! (Mateus se emocionou) Jesus já fi fazer sua grande viagem a um lugar que, para nossa visão pequena, poderia ser comparado ao estrangeiro, um país distante. Mas, pela fé, sabemos que Ele não está distante de nós, apenas "parece" que foi para muito longe...

Repórter NT: Se entendi corretamente, os bens continuam sendo do patrão...
Mateus: Exatamente! Os bens não são dados aos empregados. São "confiados" a eles, para que eles os administrem e os façam prosperar na ausência do patrão. Ou seja, o Senhor demonstra extrema confiança em seus empregados.

Repórter NT: E o que são os talentos?
Mateus: Talento é a moeda de maior valor que existe. Um talento equivale a trinta quilos de ouro, ou seis mil denários! 
Nota: Um denário é uma diária de um trabalhador como um pedreiro, por exemplo. Portanto, um talento equivale a seis mil dias, ou mais de 16 anos de trabalho de um pedreiro.

Repórter NT: E o que são os talentos que Jesus confiou a nós?
Mateus: São os ensinamentos dele, a Palavra de Deus, o Reino que Ele anunciou, o batismo que nós recebemos, os sacramentos, o dom precioso do Espírito Santo dentro de nós, a fé e todos os dons para o serviço. Estes são os talentos confiados a nós. Eles são valiosíssimos. Valem muito mais do que o ouro. Mas, para entendermos melhor, Jesus comparou-os à moeda do 'talento".

Repórter NT: Quer dizer que o talento não é aquele dom natural que todos nós temos?
Mateus: Não. Em principio, Jesus não estava falando disso. Os dons naturais que herdamos como inteligência, força, aptidões, beleza, capacidade artística e tantos outros se tornam secundários em vista dos "talentos" que Deus confiou a nós.

Repórter NT: Quer dizer que não precisamos desenvolver nossos "dons" naturais?
Mateus: Não é isso que eu quis dizer. É claro que devemos desenvolver nossos dons naturais. Mas, para isso, a própria natureza já no impulsiona. É o rumo natural das coisas. E não só a natureza nos impulsiona mas também a necessidade de sustento, a ambição, o desejo de lucro, a vaidade... Os dons naturais, se mal usados, podem nos afastar de Deus. É por isso que, nossos dons naturais se tornam secundários.

Repórter NT: Um dom natural pode nos ajudar a fazer os talentos de Deus prosperarem?
Mateus: É isso! Por exemplo, alguém que tenha o dom natural de falar bem: essa pessoa pode fazer a Palavra de Deus prosperar e se expandir nos corações de outras pessoas! É o dom natural a serviço do "talento" que é de Deus. Alguém que tenha tino comercial pode ajudar o Ministério da Palavra de Deus a se sustentar economicamente. Alguém com talento para as artes pode, através de sua arte, levar a mensagem de Jesus. Mas é preciso ter claro no coração que os dons naturais ajudam, mas não são eles que convencem os corações.

Repórter NT: Por favor, explique melhor...
Mateus: Deus não precisa de grandes oradores para fazer sua Palavra chegar aos corações. Deus precisa de pessoas que vivam a Palavra. Quem vive a Palavra de Deus a faz prosperar, mesmo sem perceber. É muito mais importante viver a Palavra do que pregá-la maravilhosamente bem. É mais importante, por exemplo, perdoar aos que nos ofenderam do que falar para os outros que devemos perdoar. É mais importante demonstrar amor através de ações do que falar sobre o amor.

Repórter NT: Quer dizer que obedecer e viver a Palavra é fazer multiplicar os talentos?
Mateus: Sim. E é sobre isso que nós vamos ser cobrados quando o "patrão" voltar de sua viagem.

Repórter NT: Na parábola, o dono distribui os talentos conforme a capacidade de cada um. Como é isso?
Mateus: Jesus usou uma palavra grega para falar sobre isso. A palavra é "dynamis", que quer dizer "dinamismo, capacidade de fazer" de cada um. Quer dizer que Deus distribui seus talentos a cada um conforme a capacidade de realização de cada um. mas note, mesmo essa "capacidade de realização" é um dom de Deus. está escrito no Deuteronômio: "Não digas 'por minha força e pelo poder do meu braço criei para mim estas riquezas'. Lembra-te do Senhor teu Deus. É Ele quem te dá força para criar riquezas." (Dt 8,17-18). portanto, é Ele quem dá a cada um capacidade de realização. E é sobre essa capacidade - recebida de Deus - que seremos julgados.

Repórter NT: E é por isso que Deus dá mais "talentos" a uns do que a outros?
Mateus: Sim. Ele sabe quanta capacidade de realização você tem, porque foi Ele quem deu isso a você. Assim, Ele sabe também quantos talentos pode confiar a você. É, por isso que não podemos julgar nem inventar ninguém se ele tiver esse ou aquele talento que eu gostaria de ter. Quem distribui os talentos é Deus e Ele sabe muito bem como e porque faz isso.

Repórter NT: E o que é "enterrar o talento"?
Mateus: É subestimar a capacidade de realização que Deus deu a você. É achar que os talentos que você recebeu são difíceis demais de se realizarem. É ouvir a Palavra de Deus e não vivê-la. É ser batizado e não desenvolver a graça maravilhosa que recebeu no batismo. É ser batizado e viver como pagão. O talento está lá. Deus confiou. Mas a pessoas enterra, não procura conhecer, não procura desenvolver. O talento, como o dinheiro, não cresce por si só. É preciso aplicar-se a ele, trabalhar, esforçar-se para que ele cresça. Enterrar talento é achar que os dons de Deus vão se desenvolver por eles mesmos, sem o meu empenho. Ao que age assim, Jesus chama de "servo indigno e preguiçoso" (Mt 25,26).

Repórter NT: Deus toma um talento de volta?
Mateus: Não. Se Ele confiou a nós, o talento sempre estará lá. Mas quando chegar a hora da prestação de contas, aí sim, o talento pode ser tomado de nós, se o tivermos enterrado. Foi isso que aconteceu com o último sevo da parábola, aquele que enterrou o talento: o que ele tinha foi tirado dele e dado ao que tinha mais.

Repórter NT: Por que o que tinha mais recebeu mais ainda?
Mateus: Porque ele se aplicou mais, ele fez o talento de Deus crescer mais! Ele fez o mundo e a vida ficarem melhores. Ele levou para frente o projeto de Deus. Por isso, merece tal recompensa.

Repórter NT: E a recompensa?
Mateus: Deus diz aos servos bons: "Você foi fiel no pouco, por isso, ponho você à frente do que é realmente importante! Entre na alegria do seu Senhor." Por mais que um talento tenha alor, ele é pouco em vista da recompensa final, que é gozar da presença de Deus na felicidade eterna. Mas não devemos esquecer que um talento é precioso para Deus e jamais deve ser enterrado. Um talento salva vidas para Deus.


"O talento está lá. Deus confiou. 
Mas a pessoa enterra, 
não procura conhecer, não procura desenvolver"

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Por que Jesus fazia milagres?

Texto: Pe. Francisco Sehnem, scj
Fonte: Revista Brasil Cristão

          Os milagres estão intimamente associados a missão de Jesus, a tal ponto que, negado os milagres, se nega a própria identidade de Jesus. Os Apóstolos, desde as suas primeiras pregações, apresentaram Jesus como autor de milagres (cf At 2,22 e 10,38). Os milagres estão de tal modo inseridos na trama da missão de Jesus que sem eles não se explicariam a admiração e o entusiasmo que Jesus suscitou desde o início de sua missão pública. Jesus falou mediante palavras e sinais, como bem dá a entender Mateus ao sintetizar a vida pública de Jesus: "Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho e curando de todas as doenças e enfermidades" (Mt 9,35; Mt 4,23).

          São Mateus, no seu Evangelho, nos diz que Jesus mesmo explicou o significado dos seus milagres:

1. João Batista manda perguntar a Jesus: "Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?" Jesus responde apontando seus milagres: "Os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados" (Mt 11,2-6). Com outras palavras: Jesus diz que está cumprindo as profecias messiânicas, que identificam o Messias mediante a realização de sinais prodigiosos (cf. Is 26,19; 29,18s; 35, 5s; 61,1). Por conseguinte, segundo Jesus, os milagres vêm a ser os sinais de que Ele é o Messias.

2. Jesus responde aos fariseus: "Se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou até vos" (Mt 12,28). No caso, os milagres são os sinais de que o Reino de Deus já chegou à terra. Com efeito, dominando os males físicos (doenças e achaques) e morais (o pecado) dos homens, vencendo a própria morte, Jesus mostra que, na sua pessoas e nas suas obras, o Reino de Deus se faz presente e atuante neste mundo. Assim os milagres se inserem harmoniosamente na pregação de Jesus, comprovando-a e autenticando-a.

3. "Jesus começou a verberar as cidades onde havia feito a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: 'Ai de ti Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito se teriam arrependido, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas eu vos digo: No Dia do Julgamento, haverá menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vos. E tu, Cafarnaum, por acaso te elevarás até o céu? Antes, até o inferno descerás. Porque, se em Sodoma tivessem sido realizados milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Por isso, eu te digo que no Dia do Julgamento haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti" (Mt 11,20-24). - Destas palavras de Jesus se depreende que os milagres foram efetuados em Corazim, Betsaida e Cafarnaum precisamente para que tais cidades se convertessem, compreendendo a irrupção do Reino Messiânico. Os milagres são pois, apelos ou sinais eloquentes pelos quais Deus chama os homens a passar do pecado para uma vida nova.

          Os milagres evidenciam a identidade de Jesus. Ao vê-los, os homens espontaneamente perguntam: "Que é isso? Comandam até mesmo os espíritos imundos e estes lhes obedecem!" (Mc 1,27) ou ainda: "Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?" (Mc 4,41). Algo de inédito aparece entre os homens,... e este inédito é o Messias assinalado por suas obras.

          São Tomás de Aquino escreve que Jesus fazia milagres para comprovar sua divindade. Isto porque Jesus fazia milagres de uma forma nunca realizada antes. Realizava milagres por uma natureza própria. Jesus operou milagres que ultrapassam todas as virtudes criadas. Apenas um Deus pode fazer o que Jesus fez. Então Jesus é Deus.

          Jesus ainda realiza milagres sem consultar ninguém. Jesus fazia os milagres com seu próprio poder.O Evangelho diz: "saía dele uma virtude que curava a todos" (Lc 6,19).

          E, vamos refletir ainda um pouco sobre a maneira de agir de Jesus como taumaturgo:
          Jesus nunca realizou um milagre em seu proveito pessoal, para pôr-se em evidência ou para sair de alguma situação embaraçosa. Sofreu fome, sede, cansaço, dormia onde se encontrava, sem ter onde reclinar a cabeça; quando foi aprisionado por seus inimigos, nada fez para se libertar e escapar da morte horrenda e humilhante. Quando pregado à cruz, foi ironicamente "desafiado" por seus adversários para se libertar, mas não o quis, embora pudesse desconcertar os seus algozes, que diziam: "Salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo. O Cristo, o rei de Israel desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos" (Mc 15,31s). Jesus quis parecer fraco e talvez impostor aos olhos de quem o desafiava.

          Jesus não ambicionava sucesso nem benefícios materiais. Ao contrário, proibia que as pessoas curadas apregoassem a obra. Assim o fez após ressuscitar a filha de Jairo e após a cura do surdo-mudo.

          O silêncio imposto por Jesus visava impedir o equivoco dos judeus que poderiam julgar que Ele veio para resolver problemas de ordem material e dar a Israel a hegemonia sobre os demais povos.

          Jesu não realizava milagres para punir. Jesus veio para salvar e não para destruir.

          Jesus efetuava milagres com grande simplicidade, sem recorrer a fórmulas mágicas nem a ritos complexos. Jesus não fazia alarde nem publicidade dos seus milagres; antes, era muito discreto e reservado. Não se apresentava , nem procurava doentes para curá-los, eram estes que se dirigiam espontaneamente a Jesus ou eram levados por outrem. Simplesmente, acolhia a todos e os curava. Bastava-lhe dizer uma palavra como autoridade, como no caso do leproso: "Quero, sê curado!" (Mc 1, 40-42).


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Os Anjos Celestes

Texto: Pe. Alírio José Pedrini, scj
aljope@terra.com.br
www.padrealiriopedrini.com
Fonte: Revista Brasil Cristão

          A existência de seres espirituais, que na Bíblia são chamados de anjos, é uma verdade de fé, confirmada pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja. O Antigo e o Novo Testamento citam mais de trezentas vezes a presença de anjos. Não há, portanto, por que duvidar.
       
          A palavra anjo vem da língua grega: "ânguelos", e do latim: "ângelus", que significa "mensageiro, portador de mensagens, noticiador". Na verdade,  nome "anjo" não indica a "natureza", ou seja, "aquilo que o anjo é", mas indica a sua missão, aquilo que ele faz. santo Agostinho diz que "anjo é designação de encargo, de trabalho, de missão, e não de sua natureza. Se perguntarmos pela natureza do anjo, por aquilo que ele é, a resposta é: ele é um 'espírito'. Se perguntarmos pelo encargo, por sua missão, a resposta é: ele é um 'anjo', ou seja, mensageiro, noticiador. Ele é espírito, por aquilo que ele é. E é anjo, por aquilo que ele faz". Portanto, ao falar de anjos está se discorrendo sobre "espíritos", seres espirituais, dotados de individualidade, inteligência, vontade e liberdade.

OS ANJOS

          Os anjos são seres espirituais, criados por Deus, amados por Deus, amigos de Deus e servidores dos desígnios de Deus. São seres espirituais incorpóreos, isto é, não tem um corpo material como o nosso. Se na Bíblia, algumas vezes, eles se mostraram com um corpo humano, é porque, para realizar a sua missão, eles precisavam "aparecer", precisavam serem vistos. E como eles cumpriam uma missão dada por Deus, Ele os tornava visíveis aos olhos humanos. 

          Os anjos são seres espirituais dotados de inteligência. São seres inteligentes. Por sua inteligência são capazes de compreender  soberania e a grandeza de Deus. São capazes de compreender que são criaturas divinas, criadas por amor, e que devem adorar e servir a Deus com submissão amorosa. Com sua inteligência, sabem reconhecer que sua existência, sua grandeza e santidade foram dadas por Deus. Por sua inteligência, eles sabem que é na adoração e no servir a Deus que reside a sua felicidade celestial.

          Os anjos são seres espirituais dotados de vontade própria. Sua vontade lhes dá a possibilidade de decisão em sua vida, nos seus relacionamentos com Deus e nas missões dEle recebidas. Mas porque compreendem que Deus é o bem supremo e a fonte de sua felicidade celestial, os anjos têm sua vontade totalmente voltada para Deus, e jamais se decidem por algo que pudesse ser contra a vontade de Deus.

          Os anjos são dotados de liberdade. São seres livres. Mas sua liberdade deve ser compreendida no seu verdadeiro significado. "Livre é aquele que escolhe o bem, o verdadeiro, o justo e o bom, por "própria iniciativa". Sabemos que lúcifer e outros anjos abusaram da liberdade, quiserem ser "deuses", se rebelaram contra Deus e foram condenados. Os anjos, por serem inteligentes e saberem que sua felicidade reside em estar com Deus, livremente "escolhem" estar com Deus e servi-Lo com amor.

SERVIDORES DE DEUS

           Os anjos são "servidores e mensageiros de Deus", "poderosos executores de sua palavra, 
e obedientes ao som de sua voz  (Sl. 103,20).

          Baseados em diversas citações bíblicas, alguns escritores sagrados os dividem em três hierarquias. Cada hierarquia é formada por três categorias, formando nove categorias ou ordens de espíritos angélicos.

          A primeira hierarquia é formada pelos espíritos Serafins, pelos Querubins e pelos Tronos. Esses três grupos se mantém junto do trono de Deus, o adoram, contemplam, servem e engrandecem. Os Serafins são os "inflamados" do amor de Deus. Os Querubins são os portadores da plenitude da ciência divina. Os Tronos vivem em "função perpétua" da presença de Deus.

          A segunda hierarquia é formada pelos espíritos Dominações, pelos Virtudes e pelos Potências. Os Dominações presidem, organizam, dão ordens a outros espíritos. Os espíritos Virtudes são os executores: agem, fazem. E os Potências exercem o poder. Têm poder de remover obstáculos aos planos divinos e favorecer sua implantação.

          A terceira hierarquia é formada pelos espíritos chamados Principados, pelos Arcanjos e pelos Anjos. Os Principados exercem poderes em nome de Deus, para o reino de Deus, em regiões maiores: países, províncias, estados. Os Arcanjos exercem domínio sobre cidades. Os Anjos, exercem o cuidado de pessoas. (Cf Legenda Áurea, p. 813-824).

          A bem da verdade, é preciso dizer que alguns escritores sacros divergem, não dos nomes das nove categorias de anjos, mas das atribuições de cada classe, descritas acima.

          Todos esses espíritos celestes são criados por Deus, estão na felicidade dos céus, servem em profundo amor e obediência a Deus, são profundamente unidos entre si na execução da missão geral dada por Deus, bem como nas incumbências pessoais.

OS ANJOS E JESUS

          Jesus Cristo é o centro de todas as classes de anjos. Lemos em Marcos 25, 31 "Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os "seus" anjos..." Os anjos são de Jesus por que foram criados "por Ele e para Ele". Lemos em Colossenses 1, 16: "Pois foi nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele". Os anjos são de Jesus porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação. Lemos em Hebreus, 1, 14: "Porventura não são eles todos espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?".

          Desde a Encarnação até a Ascensão a vida de Jesus Cristo é cercada da adoração e do serviço dos anjos. Quando Deus introduziu o primogênito no mundo, diz: "Adorem-no todos os anjos" (Hb 1,6). no nascimento de Jesus, um coro celestial cantou o "Glória a Deus nas alturas..." (Lc 2,14). Protegem a infância de Jesus, avisando a José a fugir porque Herodes queria matar o Menino (Mt 1,20. 2,13. 19). Servem a Jesus no deserto (Mc 1,12). Reconfortam Jesus na sua Getsêmani (Lc 22,43). Foi um anjo que anunciou a Maria a Encarnação do Filho de Deus. Foram anjos que anunciaram a Ressurreição do Senhor.

OS ANJOS DA GUARDA

          Desde a concepção até a morte, a vida humana é cercada por proteção e pela intercessão de anjos. Cada fiel é acompanhado por um anjo protetor e pastor para conduzi-lo pelos caminhos da vida cristã até chegar à vida eterna. Esse anjo nós o chamamos de Anjo da Guarda.

          Um Anjo da Guarda recebeu do pai celeste a missão de nos acompanhar por toda a nossa vida, a fim de nos auxiliar a viver uma vida cristã capaz de ser aprovada por Deus, no fim dos nossos dias. O Anjo da Guarda procura nos preservar e auxiliar a vencer as tentações, as infestações e opressões que nos são feitas pelos anjos maus, os demônios. Ele nos dá inspirações e moções a fim de sabermos distinguir o certo e o errado, o bom do mau, o bem do mal. Ele nos adverte, por meio de intuições e pensamentos quando estamos fazendo escolhas erradas que levam ao pecado. O Anjo da Guarda é um intercessor valioso a nosso favor diante de Deus. Ele apresenta a Deus as nossas boas ações, as nossas necessidades, as nossas intenções.

Importante é:
1. Reconhecer e acreditar na presença do nosso bom Anjo da Guarda.
2. Reconhecer a importância de termos esse "guarda-costas pessoal" no caminho de nossa vida.
3. Criarmos uma amizade com ele, e cultivar diariamente essa amizade por meio de alguma forma de oração a ele dirigida.
4. Sermos dóceis e obedientes às suas inspirações e moções.
5. Recorrermos a ele com confiança em nossas necessidades.




             

Educação e formação das famílias

Texto: Rosa Aguirre - escritora e palestrante
Fonte: Revista Brasil Cristão - Associação do Senhor Jesus

          Diz o Salmo 118,1 (Salmo compartilhado essa semana  pelo Padre Reginaldo Manzotti em seu programa Evangelizar é preciso): 
"Felizes aqueles cula a vida é pura, e seguem a lei do Senhor", e meditando neste versículo, poderíamos ter uma visão ampla sobre a pureza, mas queremos entende-la frente ao 6º mandamento; - "Não pecar contra a castidade". Diz o Catecismo Romano que a castidade é a positiva integração da sexualidade na pessoas, é uma virtude moral, um dom de Deus, uma graça, um fruto do Espírito Santo. Infelizmente ao olharmos ao nosso redor o que encontramos? Os valores morais no que se referem a castidade são tidos como ultrapassados, e mesmo no seio das famílias que se dizem cristãs, não se tem prezado o 6º mandamento.
         
              Se a família é escola de fé, como os pais têm lidado com seus filhos frente a pureza e a sexualidade? Que exemplo é dado, como se portam em relação a fidelidade? Sabemos que os meios de comunicação são formadores de opinião, e como influenciam na formação das pessoas, então o que temos oferecido aos nossos queridos? O que vemos de degradação moral não seria reflexo do que as novelas e determinados programas oferecem? Tudo é permitido, e infelizmente mutos pais acham graça e até mesmo incentivam seus pequeninos a atos que levam a perderem a pureza de coração.

          A sensualidade incentivada nos pequenos é um grande atentado à formação moral. Como consequência a isso vemos a gravidez de adolescência, filhos gerados sem estrutura familiar... e tudo é tão natural... Será que perdemos a consciência que somos templos Vivos de Deus?

                  Encontramos em Eclo 7,25-26: "Tens filhos? Educa-os, e curva-os à obediência desde a infância. Tens filhas? Vela pela integridade de seus corpos..." A palavra do Senhor deve ser a base da educação e formação das famílias; ela é sempre atual, e não deve ser adaptada aos valores do mundo de hoje, mas sim vivenciada com toda a fidelidade.
            

          

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sagrado Coração de Jesus



          O culto reverencial ao Coração de Jesus nos é apresentado por João:
“Quando chegaram, porém, a Jesus viram que ele estava morto e não lhe quebraram as pernas, mas um soldado lhe abriu o lado com uma lança e, no mesmo instante, saiu sangue e água...”

          A Escritura afirma também: “Contemplarão aquele que traspassaram” (Jo 19,33-37).

          Jesus referiu-se ao seu coração quando disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (MT 11,29).

          E ainda: “Assim também será convosco meu Pai celeste, se cada um não perdoar seu irmão, de todo coração” (MT 18,35).

          “Felizes os limpos de coração, porque verão a Deus” (MT 5,8).

          “É do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os falsos testemunhos, as blasfêmias” (MT 15,19).

“Para Platão é o cérebro que define o ser humano. Para Jesus Cristo é o coração” (A palavra coração é citada 159 vezes no Novo Testamento e 853 vezes no Antigo Testamento).


“Cada pessoa colhe bênçãos e graças no oceano da misericórdia divina, de acordo com o cântaro do seu coração” (São Francisco de Sales).


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Devoção Mariana e culto das imagens

     Depois de ter justificado doutrinalmente o culto da Bem-aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II exorta todos os fiéis a tornarem-se os seus promotores: "Muito de caso pensado, ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobre tudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovado no decorrer dos séculos pelo magistério".

   Com esta última afirmação os Padres conciliares, sem chegar a determinações particulares, queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras a tradição do povo e frequentemente encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem.

     O texto conciliar prossegue pedindo aos fiéis que "mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos Santos".

     Repropõe assim as decisões do II Concilio de Niceia, que se realizou no ano 787 e confirmou legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí-las, considerando-as inadequadas para representar a divindade.

      O II Concilio de Niceia não se limitam a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: "Com efeito, quanto mais frequentemente estas imagens forem contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e atributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração.

     Trata-se de indicações que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tomarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem elas convidam a dirigir-se a ela, a suplicar-lhe com confiança e a imitá-la acolhendo com generosidade a vontade divina.

     Nenhuma das imagens conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo Agostinho contudo, ajudam-nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser encorajado portanto o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.

     Para promover o correto uso das sagradas efígies, o Concílio de Niceia recorda que "a honra tributada à imagem na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido".

     Assim adorando na imagem de Cristo a Pessoa do Verbo Encarnado os fiéis realizam um genuíno ato de culto, que nada tem em comum com a idolatria.

     De maneira análoga ao venerar as representações de Maria, o crente realiza um ato destinado em definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus

     O Vaticano II exorta, porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E acrescenta: "Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todo respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade".

     A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a referência a Cristo: tudo, de fato, em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado.

     O Concílio oferece, por fim, aos fiéis alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria: "E os fiéis lembrem-se que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa Mãe e a imitar as suas virtudes" (Orig. O.R.)


(Padre Luis Kondor)

Se Beato João Paulo II fosse vivo, faria 35 anos de Pontificado amanhã, dia 16 de outubro.
     

     

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Evangelizar é preciso


Quantas e quantas vezes ouvimos Padre Reginaldo Manzotti falar: Evangelizar é preciso!

E é a pura verdade. Somos eternos vocacionados, sempre haverá uma voz a nos inquietar, chamando-nos para sairmos de nós mesmos. Nosso coração, nossos sonhos e nossa imaginação são alados.

Achamos que não fomos feitos para voar, que somos desprovidos de asas ou temos as asas curtas ou defeituosas. Passamos a maior parte de nossas vidas entregando os pontos e nos sentindo pesados demais para voar. Olhamos mais para o chão do que para o céu. E quando pensamos na possibilidade de voar, temos medo e este, nos apavora de tal forma que toma conta de nosso ser. Passamos o dia assim e quando a noite chega, pensamos, amanhã começa tudo novamente. E passamos mais um dia “carregados”, sobrecarregados de um peso que não nos pertence, porque tomamos para nós, não o que é nosso, dado por Deus, mas aquilo que pensamos ser nosso. Criamos dentro de nossos corações verdadeiros fantasmas, até mesmo monstros que devoram a nossa alegria, o nosso animo de viver.

Não podemos nos resignar, temos que ser como Jó. Temos que passar por esta experiência, para criarmos coragem e deixar que as asas que Deus nos deu brotem em nós. Nossa luta é diária sim, mas como cristãos, devemos lembrar que temos um privilegio especial: a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Temos também o exemplo de Cristo, que também sentiu o peso do sofrimento, da tentação e da incompreensão, mas não se abateu. Pelo contrário, sentiu a necessidade de evangelizar, de anunciar a boa nova.

É Deus que chama o Filho para aliviar as dores e os sofrimentos de todos nós. Há varias formas de opressão e a única voz que devemos ouvir, para não sufocar, é a voz de Deus.

Para ouvir a voz de Deus, é necessário ter intimidade com Ele e a oração nos leva a essa intimidade. O silêncio e o recolhimento acalmam o nosso coração e acalmam as vozes interiores e exteriores, porque somente assim ouviremos a voz divina do Pai.

Paulo ouviu essa voz e percebeu que precisava ecoar essa mesma voz e passou a ser arauto do Evangelho. Um imitador de Cristo.

Senhor, que nós também possamos ser como Jó e Paulo, para que sejamos verdadeiros EVANGELIZADORES.

sábado, 14 de julho de 2012

Revigorados pelo amor


Nenhuma palavra é capaz de expressar quem é Deus, mas existem as apropriadas como, vida e amor. Onde existe vida, aí está Deus; onde existe amor, existe vida e aí também está Deus. A morte só é admitida enquanto passagem para uma vida maior, para um amor mais pleno.

A vida é sempre novidade, como o amor. Ambos jamais cessam de renovar o nosso vigor. Fomos feitos pelo amor, nascemos da vida: nossa meta é, portanto, o amor e a vida.

Em nossa existência, contudo, o amor e a vida estão constantemente ameaçados pelos enganos da morte e do ódio. Eles, porem, nunca se identificam com seus verdadeiros nomes, vestem-se de forma sedutora, prometem vida longa, eterna juventude, bem-estar e prazer ilimitados, etc.

Bem diferente é a atitude de Deus, pois perdoa o seu povo, cura-lhe os males, resgata a sua vida do fosso, coroa-o de fidelidade e de ternura, nutre o seu vigor e rejuvenesce-o como a águia, que pode chegar a viver 50 anos (Sl 140). Mas de que forma Deus realiza isso?

Segundo o profeta Oséias, na primeira leitura, levando-o para o deserto. Para o deserto? Ao que parece, o amor de Deus começaria sem promessa de bem-estar e de vida mansa. O amor divino visa a castigar as pessoas?

Não! Deus não leva o seu povo ao deserto para fazê-lo habitar aí; leva-o para afastá-lo de todas as vozes, ilusões e promessas dos pregoeiros da morte e do ódio; no silencio do deserto, Deus poderá falar-lhe não só ao ouvido, mas ao coração, ao mais profundo do ser. Então Deus fará nova aliança, unindo seu povo a si para sempre, por meio da justiça, do direito, do amor e da fidelidade; o povo conhecerá profundamente seu Senhor e poderá agir segundo sua vontade.

Esse pacto será gravado no coração e na ida da comunidade, essa será a carta de Deus, a carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tabuas de pedra, quebradas por Moises, mas em tabuas de carne, no mai intimo dos ser (segunda leitura). Todo mundo poderá ler na vida das pessoas a marca da aliança com Deus.

Essa carta, porem, pode correr o risco de se transforma em letra morta se a comunidade não voltar constantemente ao deserto, às fontes revigorantes do contato com Deus. Devemos sempre despir-nos do homem velho, dos trapos de nossos comportamentos e mentalidade, para revestir-nos do novo que Deus quer realizar em nós. Nossos corações de pedra ou de madeira poder precisam ser substituídos por odres novos para acolher o vinho novo do Evangelho.

O jejum é um modo de ir ao deserto, de relativizar até mesmo aquilo que nos é vital – o alimento, a bebida – para reacender em nós a lembrança e a convicção daquilo que é essencial, o amor de Deus e dos irmãos. É preciso ter cuidado, porém, para não transforma a ida ao deserto, o jejum e as praticas religiosas em atos mecânicos e vazios, desencarnados da vida.

Percebemos os frutos do verdadeiro jejum, do deserto e da busca sincera de Deus através da pratica da fidelidade, da justiça e do amor, pois estas são coisas que Deus ensina àqueles que verdadeiramente o buscam e o encontram.

(Paulo Ferreira Valério – padre capuchinho)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Creio na ressurreição da carne

(A Pinacoteca do Vaticano, em Roma, guarda esta obra prima de Caravaggio, para o encanto dos artistas e a piedade dos cristãos.)

Jesus de Nazaré não ficou na mansão dos mortos, mas ressuscitou. Em Jesus se manifestou o destino de todos os homens, isto é, a vida plena. Assim como todos morrem em Adão, da mesma forma, dirá São Paulo, todos hão de ressuscitar em Cristo. A ressurreição de Jesus significa um futuro prometido ao homem. A palavra carne é tomada no sentido de corpo material. O corpo glorioso na ressurreição é o mesmo corpo que tivemos, mas, ao mesmo tempo, completamente diferente. O adjetivo glorioso quer dizer que esse corpo mortal, nossa pessoa mais profunda que carregou esse corpo que faz parte de nós, será transformado em glória. A ressurreição da carne quer exprimir o fato de que, depois da morte, há de surgir uma vida nova para o que ressuscitar. Será um ser humano em plenitude, nem apenas matéria, nem apenas espírito. O Filho do Homem, tendo tomado nossa carne, não o faz para destruí-la, mas para salvá-la e glorificá-la. A ressurreição será uma transformação de nosso corpo, semelhante à transformação entre o grão e a flor.

(Do “Almanaque do Coração de Jesus”)