"Ó Deus, criaste-nos para Ti e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Ti!" (Santo Agostinho)

"Faça poucas coisas, mas as faça bem!" (São Francisco de Assis)

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domingo, 6 de julho de 2014

Parábolas dos talentos

Texto: Vicente Abreu
Fonte: Revista Cristã

Repórter Novo Testamento entrevista Mateus sobre a Parábola dos Talentos.

Eu estava na casa de Maria, mãe do evangelista Marcos. A casa era um ponto de encontro dos primeiros cristãos em Jerusalém. Nessa ocasião tive a graça de me encontrar com Mateus, o ex-cobrador de impostos que se tornou apóstolo de Jesus. Quando cheguei, ele falava sobre a Parábola dos Talentos. Ele falou tão lindamente que, depois, não resisti e fui conversar com ele. Logo percebi que Mateus amava essa parábola. Tanto que, mais tarde, ele será o único evangelista a mencioná-la nos Evangelhos. Leia Mateus 25, 14-30. Ao falar sobre o assunto, seus olhos brilhavam. Depois de ouvi-lo, aquela parábola - que eu já tinha lido e ouvido tantas vezes - ganhou outro significado. A seguir, veja m trecho de nossa conversa.

Repórter NT: Por que você gosta tanto dessa parábola?
Mateus: Primeiramente, porque é um ensinamento do meu Senhor Jesus. Portanto, é um ensinamento para a vida, para a felicidade. Depois, porque Jesus contou essa parábola quando nos falava sobre o final dos tempos. E, finalmente, porque ela encerra verdades maravilhosas, sobre a vida presente, sobre a vida futura e o que devemos fazer para conquistá-la.

Repórter NT: Quem é o dono dos bens na parábola?
Mateus: É Jesus. Ele é o dono, o patrão. Por ele todas as coisas foram feitas. Ele é o Filho em quem o Pai colocou todo o seu amor. E é a ele que todos nós vamos prestar contas.

Repórter NT: Na parábola, o dono iria partir para o estrangeiro...
Mateus: Sim. O patrão iria partir para uma grande viagem. Então, ele chama seus empregados e confia a eles seus bens! (Mateus se emocionou) Jesus já fi fazer sua grande viagem a um lugar que, para nossa visão pequena, poderia ser comparado ao estrangeiro, um país distante. Mas, pela fé, sabemos que Ele não está distante de nós, apenas "parece" que foi para muito longe...

Repórter NT: Se entendi corretamente, os bens continuam sendo do patrão...
Mateus: Exatamente! Os bens não são dados aos empregados. São "confiados" a eles, para que eles os administrem e os façam prosperar na ausência do patrão. Ou seja, o Senhor demonstra extrema confiança em seus empregados.

Repórter NT: E o que são os talentos?
Mateus: Talento é a moeda de maior valor que existe. Um talento equivale a trinta quilos de ouro, ou seis mil denários! 
Nota: Um denário é uma diária de um trabalhador como um pedreiro, por exemplo. Portanto, um talento equivale a seis mil dias, ou mais de 16 anos de trabalho de um pedreiro.

Repórter NT: E o que são os talentos que Jesus confiou a nós?
Mateus: São os ensinamentos dele, a Palavra de Deus, o Reino que Ele anunciou, o batismo que nós recebemos, os sacramentos, o dom precioso do Espírito Santo dentro de nós, a fé e todos os dons para o serviço. Estes são os talentos confiados a nós. Eles são valiosíssimos. Valem muito mais do que o ouro. Mas, para entendermos melhor, Jesus comparou-os à moeda do 'talento".

Repórter NT: Quer dizer que o talento não é aquele dom natural que todos nós temos?
Mateus: Não. Em principio, Jesus não estava falando disso. Os dons naturais que herdamos como inteligência, força, aptidões, beleza, capacidade artística e tantos outros se tornam secundários em vista dos "talentos" que Deus confiou a nós.

Repórter NT: Quer dizer que não precisamos desenvolver nossos "dons" naturais?
Mateus: Não é isso que eu quis dizer. É claro que devemos desenvolver nossos dons naturais. Mas, para isso, a própria natureza já no impulsiona. É o rumo natural das coisas. E não só a natureza nos impulsiona mas também a necessidade de sustento, a ambição, o desejo de lucro, a vaidade... Os dons naturais, se mal usados, podem nos afastar de Deus. É por isso que, nossos dons naturais se tornam secundários.

Repórter NT: Um dom natural pode nos ajudar a fazer os talentos de Deus prosperarem?
Mateus: É isso! Por exemplo, alguém que tenha o dom natural de falar bem: essa pessoa pode fazer a Palavra de Deus prosperar e se expandir nos corações de outras pessoas! É o dom natural a serviço do "talento" que é de Deus. Alguém que tenha tino comercial pode ajudar o Ministério da Palavra de Deus a se sustentar economicamente. Alguém com talento para as artes pode, através de sua arte, levar a mensagem de Jesus. Mas é preciso ter claro no coração que os dons naturais ajudam, mas não são eles que convencem os corações.

Repórter NT: Por favor, explique melhor...
Mateus: Deus não precisa de grandes oradores para fazer sua Palavra chegar aos corações. Deus precisa de pessoas que vivam a Palavra. Quem vive a Palavra de Deus a faz prosperar, mesmo sem perceber. É muito mais importante viver a Palavra do que pregá-la maravilhosamente bem. É mais importante, por exemplo, perdoar aos que nos ofenderam do que falar para os outros que devemos perdoar. É mais importante demonstrar amor através de ações do que falar sobre o amor.

Repórter NT: Quer dizer que obedecer e viver a Palavra é fazer multiplicar os talentos?
Mateus: Sim. E é sobre isso que nós vamos ser cobrados quando o "patrão" voltar de sua viagem.

Repórter NT: Na parábola, o dono distribui os talentos conforme a capacidade de cada um. Como é isso?
Mateus: Jesus usou uma palavra grega para falar sobre isso. A palavra é "dynamis", que quer dizer "dinamismo, capacidade de fazer" de cada um. Quer dizer que Deus distribui seus talentos a cada um conforme a capacidade de realização de cada um. mas note, mesmo essa "capacidade de realização" é um dom de Deus. está escrito no Deuteronômio: "Não digas 'por minha força e pelo poder do meu braço criei para mim estas riquezas'. Lembra-te do Senhor teu Deus. É Ele quem te dá força para criar riquezas." (Dt 8,17-18). portanto, é Ele quem dá a cada um capacidade de realização. E é sobre essa capacidade - recebida de Deus - que seremos julgados.

Repórter NT: E é por isso que Deus dá mais "talentos" a uns do que a outros?
Mateus: Sim. Ele sabe quanta capacidade de realização você tem, porque foi Ele quem deu isso a você. Assim, Ele sabe também quantos talentos pode confiar a você. É, por isso que não podemos julgar nem inventar ninguém se ele tiver esse ou aquele talento que eu gostaria de ter. Quem distribui os talentos é Deus e Ele sabe muito bem como e porque faz isso.

Repórter NT: E o que é "enterrar o talento"?
Mateus: É subestimar a capacidade de realização que Deus deu a você. É achar que os talentos que você recebeu são difíceis demais de se realizarem. É ouvir a Palavra de Deus e não vivê-la. É ser batizado e não desenvolver a graça maravilhosa que recebeu no batismo. É ser batizado e viver como pagão. O talento está lá. Deus confiou. Mas a pessoas enterra, não procura conhecer, não procura desenvolver. O talento, como o dinheiro, não cresce por si só. É preciso aplicar-se a ele, trabalhar, esforçar-se para que ele cresça. Enterrar talento é achar que os dons de Deus vão se desenvolver por eles mesmos, sem o meu empenho. Ao que age assim, Jesus chama de "servo indigno e preguiçoso" (Mt 25,26).

Repórter NT: Deus toma um talento de volta?
Mateus: Não. Se Ele confiou a nós, o talento sempre estará lá. Mas quando chegar a hora da prestação de contas, aí sim, o talento pode ser tomado de nós, se o tivermos enterrado. Foi isso que aconteceu com o último sevo da parábola, aquele que enterrou o talento: o que ele tinha foi tirado dele e dado ao que tinha mais.

Repórter NT: Por que o que tinha mais recebeu mais ainda?
Mateus: Porque ele se aplicou mais, ele fez o talento de Deus crescer mais! Ele fez o mundo e a vida ficarem melhores. Ele levou para frente o projeto de Deus. Por isso, merece tal recompensa.

Repórter NT: E a recompensa?
Mateus: Deus diz aos servos bons: "Você foi fiel no pouco, por isso, ponho você à frente do que é realmente importante! Entre na alegria do seu Senhor." Por mais que um talento tenha alor, ele é pouco em vista da recompensa final, que é gozar da presença de Deus na felicidade eterna. Mas não devemos esquecer que um talento é precioso para Deus e jamais deve ser enterrado. Um talento salva vidas para Deus.


"O talento está lá. Deus confiou. 
Mas a pessoa enterra, 
não procura conhecer, não procura desenvolver"

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Por que Jesus fazia milagres?

Texto: Pe. Francisco Sehnem, scj
Fonte: Revista Brasil Cristão

          Os milagres estão intimamente associados a missão de Jesus, a tal ponto que, negado os milagres, se nega a própria identidade de Jesus. Os Apóstolos, desde as suas primeiras pregações, apresentaram Jesus como autor de milagres (cf At 2,22 e 10,38). Os milagres estão de tal modo inseridos na trama da missão de Jesus que sem eles não se explicariam a admiração e o entusiasmo que Jesus suscitou desde o início de sua missão pública. Jesus falou mediante palavras e sinais, como bem dá a entender Mateus ao sintetizar a vida pública de Jesus: "Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho e curando de todas as doenças e enfermidades" (Mt 9,35; Mt 4,23).

          São Mateus, no seu Evangelho, nos diz que Jesus mesmo explicou o significado dos seus milagres:

1. João Batista manda perguntar a Jesus: "Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?" Jesus responde apontando seus milagres: "Os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados" (Mt 11,2-6). Com outras palavras: Jesus diz que está cumprindo as profecias messiânicas, que identificam o Messias mediante a realização de sinais prodigiosos (cf. Is 26,19; 29,18s; 35, 5s; 61,1). Por conseguinte, segundo Jesus, os milagres vêm a ser os sinais de que Ele é o Messias.

2. Jesus responde aos fariseus: "Se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou até vos" (Mt 12,28). No caso, os milagres são os sinais de que o Reino de Deus já chegou à terra. Com efeito, dominando os males físicos (doenças e achaques) e morais (o pecado) dos homens, vencendo a própria morte, Jesus mostra que, na sua pessoas e nas suas obras, o Reino de Deus se faz presente e atuante neste mundo. Assim os milagres se inserem harmoniosamente na pregação de Jesus, comprovando-a e autenticando-a.

3. "Jesus começou a verberar as cidades onde havia feito a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: 'Ai de ti Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito se teriam arrependido, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas eu vos digo: No Dia do Julgamento, haverá menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vos. E tu, Cafarnaum, por acaso te elevarás até o céu? Antes, até o inferno descerás. Porque, se em Sodoma tivessem sido realizados milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Por isso, eu te digo que no Dia do Julgamento haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti" (Mt 11,20-24). - Destas palavras de Jesus se depreende que os milagres foram efetuados em Corazim, Betsaida e Cafarnaum precisamente para que tais cidades se convertessem, compreendendo a irrupção do Reino Messiânico. Os milagres são pois, apelos ou sinais eloquentes pelos quais Deus chama os homens a passar do pecado para uma vida nova.

          Os milagres evidenciam a identidade de Jesus. Ao vê-los, os homens espontaneamente perguntam: "Que é isso? Comandam até mesmo os espíritos imundos e estes lhes obedecem!" (Mc 1,27) ou ainda: "Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?" (Mc 4,41). Algo de inédito aparece entre os homens,... e este inédito é o Messias assinalado por suas obras.

          São Tomás de Aquino escreve que Jesus fazia milagres para comprovar sua divindade. Isto porque Jesus fazia milagres de uma forma nunca realizada antes. Realizava milagres por uma natureza própria. Jesus operou milagres que ultrapassam todas as virtudes criadas. Apenas um Deus pode fazer o que Jesus fez. Então Jesus é Deus.

          Jesus ainda realiza milagres sem consultar ninguém. Jesus fazia os milagres com seu próprio poder.O Evangelho diz: "saía dele uma virtude que curava a todos" (Lc 6,19).

          E, vamos refletir ainda um pouco sobre a maneira de agir de Jesus como taumaturgo:
          Jesus nunca realizou um milagre em seu proveito pessoal, para pôr-se em evidência ou para sair de alguma situação embaraçosa. Sofreu fome, sede, cansaço, dormia onde se encontrava, sem ter onde reclinar a cabeça; quando foi aprisionado por seus inimigos, nada fez para se libertar e escapar da morte horrenda e humilhante. Quando pregado à cruz, foi ironicamente "desafiado" por seus adversários para se libertar, mas não o quis, embora pudesse desconcertar os seus algozes, que diziam: "Salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo. O Cristo, o rei de Israel desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos" (Mc 15,31s). Jesus quis parecer fraco e talvez impostor aos olhos de quem o desafiava.

          Jesus não ambicionava sucesso nem benefícios materiais. Ao contrário, proibia que as pessoas curadas apregoassem a obra. Assim o fez após ressuscitar a filha de Jairo e após a cura do surdo-mudo.

          O silêncio imposto por Jesus visava impedir o equivoco dos judeus que poderiam julgar que Ele veio para resolver problemas de ordem material e dar a Israel a hegemonia sobre os demais povos.

          Jesu não realizava milagres para punir. Jesus veio para salvar e não para destruir.

          Jesus efetuava milagres com grande simplicidade, sem recorrer a fórmulas mágicas nem a ritos complexos. Jesus não fazia alarde nem publicidade dos seus milagres; antes, era muito discreto e reservado. Não se apresentava , nem procurava doentes para curá-los, eram estes que se dirigiam espontaneamente a Jesus ou eram levados por outrem. Simplesmente, acolhia a todos e os curava. Bastava-lhe dizer uma palavra como autoridade, como no caso do leproso: "Quero, sê curado!" (Mc 1, 40-42).


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Os Anjos Celestes

Texto: Pe. Alírio José Pedrini, scj
aljope@terra.com.br
www.padrealiriopedrini.com
Fonte: Revista Brasil Cristão

          A existência de seres espirituais, que na Bíblia são chamados de anjos, é uma verdade de fé, confirmada pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja. O Antigo e o Novo Testamento citam mais de trezentas vezes a presença de anjos. Não há, portanto, por que duvidar.
       
          A palavra anjo vem da língua grega: "ânguelos", e do latim: "ângelus", que significa "mensageiro, portador de mensagens, noticiador". Na verdade,  nome "anjo" não indica a "natureza", ou seja, "aquilo que o anjo é", mas indica a sua missão, aquilo que ele faz. santo Agostinho diz que "anjo é designação de encargo, de trabalho, de missão, e não de sua natureza. Se perguntarmos pela natureza do anjo, por aquilo que ele é, a resposta é: ele é um 'espírito'. Se perguntarmos pelo encargo, por sua missão, a resposta é: ele é um 'anjo', ou seja, mensageiro, noticiador. Ele é espírito, por aquilo que ele é. E é anjo, por aquilo que ele faz". Portanto, ao falar de anjos está se discorrendo sobre "espíritos", seres espirituais, dotados de individualidade, inteligência, vontade e liberdade.

OS ANJOS

          Os anjos são seres espirituais, criados por Deus, amados por Deus, amigos de Deus e servidores dos desígnios de Deus. São seres espirituais incorpóreos, isto é, não tem um corpo material como o nosso. Se na Bíblia, algumas vezes, eles se mostraram com um corpo humano, é porque, para realizar a sua missão, eles precisavam "aparecer", precisavam serem vistos. E como eles cumpriam uma missão dada por Deus, Ele os tornava visíveis aos olhos humanos. 

          Os anjos são seres espirituais dotados de inteligência. São seres inteligentes. Por sua inteligência são capazes de compreender  soberania e a grandeza de Deus. São capazes de compreender que são criaturas divinas, criadas por amor, e que devem adorar e servir a Deus com submissão amorosa. Com sua inteligência, sabem reconhecer que sua existência, sua grandeza e santidade foram dadas por Deus. Por sua inteligência, eles sabem que é na adoração e no servir a Deus que reside a sua felicidade celestial.

          Os anjos são seres espirituais dotados de vontade própria. Sua vontade lhes dá a possibilidade de decisão em sua vida, nos seus relacionamentos com Deus e nas missões dEle recebidas. Mas porque compreendem que Deus é o bem supremo e a fonte de sua felicidade celestial, os anjos têm sua vontade totalmente voltada para Deus, e jamais se decidem por algo que pudesse ser contra a vontade de Deus.

          Os anjos são dotados de liberdade. São seres livres. Mas sua liberdade deve ser compreendida no seu verdadeiro significado. "Livre é aquele que escolhe o bem, o verdadeiro, o justo e o bom, por "própria iniciativa". Sabemos que lúcifer e outros anjos abusaram da liberdade, quiserem ser "deuses", se rebelaram contra Deus e foram condenados. Os anjos, por serem inteligentes e saberem que sua felicidade reside em estar com Deus, livremente "escolhem" estar com Deus e servi-Lo com amor.

SERVIDORES DE DEUS

           Os anjos são "servidores e mensageiros de Deus", "poderosos executores de sua palavra, 
e obedientes ao som de sua voz  (Sl. 103,20).

          Baseados em diversas citações bíblicas, alguns escritores sagrados os dividem em três hierarquias. Cada hierarquia é formada por três categorias, formando nove categorias ou ordens de espíritos angélicos.

          A primeira hierarquia é formada pelos espíritos Serafins, pelos Querubins e pelos Tronos. Esses três grupos se mantém junto do trono de Deus, o adoram, contemplam, servem e engrandecem. Os Serafins são os "inflamados" do amor de Deus. Os Querubins são os portadores da plenitude da ciência divina. Os Tronos vivem em "função perpétua" da presença de Deus.

          A segunda hierarquia é formada pelos espíritos Dominações, pelos Virtudes e pelos Potências. Os Dominações presidem, organizam, dão ordens a outros espíritos. Os espíritos Virtudes são os executores: agem, fazem. E os Potências exercem o poder. Têm poder de remover obstáculos aos planos divinos e favorecer sua implantação.

          A terceira hierarquia é formada pelos espíritos chamados Principados, pelos Arcanjos e pelos Anjos. Os Principados exercem poderes em nome de Deus, para o reino de Deus, em regiões maiores: países, províncias, estados. Os Arcanjos exercem domínio sobre cidades. Os Anjos, exercem o cuidado de pessoas. (Cf Legenda Áurea, p. 813-824).

          A bem da verdade, é preciso dizer que alguns escritores sacros divergem, não dos nomes das nove categorias de anjos, mas das atribuições de cada classe, descritas acima.

          Todos esses espíritos celestes são criados por Deus, estão na felicidade dos céus, servem em profundo amor e obediência a Deus, são profundamente unidos entre si na execução da missão geral dada por Deus, bem como nas incumbências pessoais.

OS ANJOS E JESUS

          Jesus Cristo é o centro de todas as classes de anjos. Lemos em Marcos 25, 31 "Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os "seus" anjos..." Os anjos são de Jesus por que foram criados "por Ele e para Ele". Lemos em Colossenses 1, 16: "Pois foi nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele". Os anjos são de Jesus porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação. Lemos em Hebreus, 1, 14: "Porventura não são eles todos espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?".

          Desde a Encarnação até a Ascensão a vida de Jesus Cristo é cercada da adoração e do serviço dos anjos. Quando Deus introduziu o primogênito no mundo, diz: "Adorem-no todos os anjos" (Hb 1,6). no nascimento de Jesus, um coro celestial cantou o "Glória a Deus nas alturas..." (Lc 2,14). Protegem a infância de Jesus, avisando a José a fugir porque Herodes queria matar o Menino (Mt 1,20. 2,13. 19). Servem a Jesus no deserto (Mc 1,12). Reconfortam Jesus na sua Getsêmani (Lc 22,43). Foi um anjo que anunciou a Maria a Encarnação do Filho de Deus. Foram anjos que anunciaram a Ressurreição do Senhor.

OS ANJOS DA GUARDA

          Desde a concepção até a morte, a vida humana é cercada por proteção e pela intercessão de anjos. Cada fiel é acompanhado por um anjo protetor e pastor para conduzi-lo pelos caminhos da vida cristã até chegar à vida eterna. Esse anjo nós o chamamos de Anjo da Guarda.

          Um Anjo da Guarda recebeu do pai celeste a missão de nos acompanhar por toda a nossa vida, a fim de nos auxiliar a viver uma vida cristã capaz de ser aprovada por Deus, no fim dos nossos dias. O Anjo da Guarda procura nos preservar e auxiliar a vencer as tentações, as infestações e opressões que nos são feitas pelos anjos maus, os demônios. Ele nos dá inspirações e moções a fim de sabermos distinguir o certo e o errado, o bom do mau, o bem do mal. Ele nos adverte, por meio de intuições e pensamentos quando estamos fazendo escolhas erradas que levam ao pecado. O Anjo da Guarda é um intercessor valioso a nosso favor diante de Deus. Ele apresenta a Deus as nossas boas ações, as nossas necessidades, as nossas intenções.

Importante é:
1. Reconhecer e acreditar na presença do nosso bom Anjo da Guarda.
2. Reconhecer a importância de termos esse "guarda-costas pessoal" no caminho de nossa vida.
3. Criarmos uma amizade com ele, e cultivar diariamente essa amizade por meio de alguma forma de oração a ele dirigida.
4. Sermos dóceis e obedientes às suas inspirações e moções.
5. Recorrermos a ele com confiança em nossas necessidades.




             

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sagrado Coração de Jesus



          O culto reverencial ao Coração de Jesus nos é apresentado por João:
“Quando chegaram, porém, a Jesus viram que ele estava morto e não lhe quebraram as pernas, mas um soldado lhe abriu o lado com uma lança e, no mesmo instante, saiu sangue e água...”

          A Escritura afirma também: “Contemplarão aquele que traspassaram” (Jo 19,33-37).

          Jesus referiu-se ao seu coração quando disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (MT 11,29).

          E ainda: “Assim também será convosco meu Pai celeste, se cada um não perdoar seu irmão, de todo coração” (MT 18,35).

          “Felizes os limpos de coração, porque verão a Deus” (MT 5,8).

          “É do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os falsos testemunhos, as blasfêmias” (MT 15,19).

“Para Platão é o cérebro que define o ser humano. Para Jesus Cristo é o coração” (A palavra coração é citada 159 vezes no Novo Testamento e 853 vezes no Antigo Testamento).


“Cada pessoa colhe bênçãos e graças no oceano da misericórdia divina, de acordo com o cântaro do seu coração” (São Francisco de Sales).


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Dízimo

          Para um estudo aprofundado sobre o dízimo, eis alguns trechos da Bíblia a serem pesquisados:

                   Experimentar Deus: Leitura - Malaquias 3, 8-11

                   Estar em dia com Deus: Leitura - Êxodo 22, 28-29
                   Leitura - 2 Coríntios 9, 6-7 



sábado, 14 de julho de 2012

Revigorados pelo amor


Nenhuma palavra é capaz de expressar quem é Deus, mas existem as apropriadas como, vida e amor. Onde existe vida, aí está Deus; onde existe amor, existe vida e aí também está Deus. A morte só é admitida enquanto passagem para uma vida maior, para um amor mais pleno.

A vida é sempre novidade, como o amor. Ambos jamais cessam de renovar o nosso vigor. Fomos feitos pelo amor, nascemos da vida: nossa meta é, portanto, o amor e a vida.

Em nossa existência, contudo, o amor e a vida estão constantemente ameaçados pelos enganos da morte e do ódio. Eles, porem, nunca se identificam com seus verdadeiros nomes, vestem-se de forma sedutora, prometem vida longa, eterna juventude, bem-estar e prazer ilimitados, etc.

Bem diferente é a atitude de Deus, pois perdoa o seu povo, cura-lhe os males, resgata a sua vida do fosso, coroa-o de fidelidade e de ternura, nutre o seu vigor e rejuvenesce-o como a águia, que pode chegar a viver 50 anos (Sl 140). Mas de que forma Deus realiza isso?

Segundo o profeta Oséias, na primeira leitura, levando-o para o deserto. Para o deserto? Ao que parece, o amor de Deus começaria sem promessa de bem-estar e de vida mansa. O amor divino visa a castigar as pessoas?

Não! Deus não leva o seu povo ao deserto para fazê-lo habitar aí; leva-o para afastá-lo de todas as vozes, ilusões e promessas dos pregoeiros da morte e do ódio; no silencio do deserto, Deus poderá falar-lhe não só ao ouvido, mas ao coração, ao mais profundo do ser. Então Deus fará nova aliança, unindo seu povo a si para sempre, por meio da justiça, do direito, do amor e da fidelidade; o povo conhecerá profundamente seu Senhor e poderá agir segundo sua vontade.

Esse pacto será gravado no coração e na ida da comunidade, essa será a carta de Deus, a carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tabuas de pedra, quebradas por Moises, mas em tabuas de carne, no mai intimo dos ser (segunda leitura). Todo mundo poderá ler na vida das pessoas a marca da aliança com Deus.

Essa carta, porem, pode correr o risco de se transforma em letra morta se a comunidade não voltar constantemente ao deserto, às fontes revigorantes do contato com Deus. Devemos sempre despir-nos do homem velho, dos trapos de nossos comportamentos e mentalidade, para revestir-nos do novo que Deus quer realizar em nós. Nossos corações de pedra ou de madeira poder precisam ser substituídos por odres novos para acolher o vinho novo do Evangelho.

O jejum é um modo de ir ao deserto, de relativizar até mesmo aquilo que nos é vital – o alimento, a bebida – para reacender em nós a lembrança e a convicção daquilo que é essencial, o amor de Deus e dos irmãos. É preciso ter cuidado, porém, para não transforma a ida ao deserto, o jejum e as praticas religiosas em atos mecânicos e vazios, desencarnados da vida.

Percebemos os frutos do verdadeiro jejum, do deserto e da busca sincera de Deus através da pratica da fidelidade, da justiça e do amor, pois estas são coisas que Deus ensina àqueles que verdadeiramente o buscam e o encontram.

(Paulo Ferreira Valério – padre capuchinho)

sábado, 26 de junho de 2010

Ressurreição

Qual é a sua dúvida?


Não é o dogma da Ressurreição da carne contrário à razão? Como é possível que cada um ressuscite com o mesmo corpo que agora tem?


A razão humana por si só não poderia nunca conhecê-lo de certeza, mas cremo-lo firmemente, porque a Igreja Católica, Mestra infalível da Divina revelação, o declarou, em nome da Bíblia e da Tradição, artigo de fé em seus Credos: Apostólico, Niceno e Atanasiano; e em seus Concílios: no de Constantinopla, em 553; e no IV de Latrão, em 1215.


Este último diz: Todos os homens se levantarão de novo com os próprios corpos que agora têm, para receber o prêmio ou o castigo conforme as suas obras.


Esta doutrina vem já expressa no Antigo Testamento.


A princípio, apresenta-se-nos vaga.


Depois vai-se precisando lentamente até se nos mostrar em toda a sua luz.


O s Profetas predisseram a restauração de Israel, sob a figura de ressurreição geral (Oseias, 6; 13, 14; Ezeq. 37, 11); e referem-se a Ressurreição de Cristo como penhor da nossa (Slm 15, 10).


Nosso Senhor falou frequentemente da Ressurreição dos corpos aos Saduceus e atribuiu a sua negação à ignorância das Escrituras (Mt. 22, 29; Mrc. 12, 18-27; Lc. 20, 27-38; Jo. 5, 28-29; 6, 39-40; 11, 23-26).


A sua Ressurreição (Lc. 24, 39-43; Jo. 20, 27-28) no mesmo Corpo, confirma o seu divino ensino acerca da Ressurreição dos nossos corpos.


São Paulo pregou-a diante do Aéropago em Atenas (ACT. 17, 18, 31-32), em Jerusalém (Act. 23, 6), diante de Félix (ACT. 24, 15) e diante de Agripa (Act. 26, 8), e menciona-a muitas vezes em suas Epístolas (Rm. 8, 11; 1Cor. 6, 14; 15, 12; 2Cor. 4, 14; 6, 1; Filip. 3, 1; Ress. 4, 12, 2Tim. 2, 11; Herb. 6, 2).


Prova a ressureição dos mortos pela Ressureição de Cristo, declarando que se os mortos não hão de ressuscitar depois da morte, também Jesus Cristo não ressuscitou (1Cor. 15, 13; Cfr. S. Tom. 111, Q. 56, art. 1).


Todos os santos Padres falaram claramente da Ressurreição dos mortos, porque se viam continuamente na necessidade de a defender contra os pagãos, que negavam a imortalidade da alma, e contra a heresia gnóstica, que professava que toda a matéria era má.


Declaravam: que era uma verdade divinamente revelada; que não era impossível ao infinito poder de Deus (S. Ciril. de Alex.: Cat. 18); que estava bem, que Deus ressuscitasse um corpo que tinha sido templo do Espírito Santo e nutrido com a Eucaristia (S. Iren.Adv. Haer; 4, 18) e que não era justo privar o corpo do prêmio, ou do castigo, dado à alma (S. Clem. Ad. Cor; 1, 25).


Valiam-se muitas vezes de analogias, tiradas da natureza como do grão de trigo, que primeiro apodrece no seio da terra, e depois renasce e apresenta-se melhorado; da sucessão das estações do ano e do prodígio do profeta Jonas (Mt. 12, 39-40).


O Dogma da Ressurreição depois da morte não implica somente a imortalidade da alam (Maior: A Ressurreição of Retics), implica a real e completa ressurreição do homem na plenitude de sua natureza.

sábado, 14 de março de 2009

Livros Sagrados


A Inspiração dos Livros Sagrados

  1. Os livros da Bíblia chamam-se "sagrados", "santos", "divinos", etc., porque foram escritos por inspiração divina; portanto, tem a Deus por autor, e assim o que contém é "palavra de Deus" (2 Pedr. 1, 20).
  2. A inspiração bíblica é coisa bem distinta da chamada inspiração artística. Esta é uma qualidade natural que algumas pessoas possuem, como poetas, pintores, etc., para expressar a beleza em suas diversas formas. Pelo contrário, a inspiração bíblica é um dom ou carisma sobrenatural, mediante o qual Deus comunica seu pensamento aos homens e estes o transmitem como verdade infalível.
  3. Também são coisas distintas, ainda que algumas vezes se apresentam juntas, a revelação e a inspiração. Por meio daquela, Deus manifesta verdades ocultas, que às vezes superam o alcance da mente humana, por exemplo, o mistério da Santíssima Trindade. Pela inspiração frequentemente se sugerem ao escritor sagrado assuntos que ele já conhece, por exemplo, quando Deus inspirou aos Evangelistas a descrição de fatos históricos de que eles mesmos tinham sido testemunhos (Jo. 21,24).
  4. A inspiração bíblica consiste num influxo sobrenatural, por meio do qual Deus faz com que os homens, por Ele escolhidos, escrevam tudo o que Ele lhes revela ou sugere, livrando-os de todo erro. De maneira que pela inspiração, Deus move efizcamente a vontade do escritor, ilustra seu entendimento sugerindo-lhe o que deve escrever, e o assiste enquanto escreve para que expressa apta e fielmente seu pensamento.
  5. Esta doutrina acerca da inspiração a ensinou o Papa Leão XIII com as seguintes palavras: "Deus de tal maneira excitou e moveu aos escritores sagrados para que escrevessem, e de tal modo os assistiu enquanto escreviam, que eles conceberam retamente tudo e só aquilo que Ele queria, e o quiseram fielmente escrever e o exprimiram aptamente com verdade infalível: do contrário, não seria Deus o Autor de toda a Sagrada Escritura" . (Encíclica "Providentissimus").
  6. Do que fica dito se deduz que o livro inspirado é todo obra de Deus, como causa principal e autor responsável; e é todo obra do escritor humano, como causa instrumental - instrumento vivo e racional nas mãos de Deus. Por este duplo carácter e, ao mesmo tempo, as propriedades de sua origem divina.